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27 Ago 2011 

Fonte: Estadão - Livio Oricchio

Raikkonen superou a pobreza na Finlândia e contou com o apoio familiar para se tornar vencedor no automobilismo

Era uma vez um menino loirinho, magro, pobre, que acordou de noite com vontade de fazer xixi. Mas como fazia muito frio no seu país, quase no polo norte, e o banheiro era fora de casa, ele voltou para a cama. Disse a si mesmo que faria de tudo para um dia dar aos pais uma casa onde eles não precisassem mais se deslocar por 30 metros na neve só para fazer xixi. O tempo passou, o menino cresceu, demonstrou raro talento para pilotar carros de corrida, conquistou um título mundial, ficou rico, famoso e ele e a família podem escolher em qual banheiro da sua imponente residência desejam fazer xixi.

O que parece ser uma fábula quase singela é, na realidade, a história do atual campeão do mundo, Kimi Matias Raikkonen, 28 anos, piloto da Ferrari. "É uma sensação ótima olhar para trás e ver como as coisas mudaram em tão pouco tempo. Meu pai e minha mãe trabalharam muito para que isso fosse possível", diz o piloto, líder do campeonato, em profundo agradecimento aos dois. Tanto que com o primeiro dinheiro que ganhou como piloto comprou o terreno ao lado da sua casa localizada numa linda floresta de pinheiros na periferia de Espoo, na Finlândia, e mandou construir uma nova para a família.

Masa é seu pai. Profissão: tratorista. Trabalhava na construção e reparo de estradas. Sexta-feira encontrava-se no Autódromo de Hameenlinna, 100 quilômetros ao norte de Espoo, apenas três graus de latitude abaixo do Círculo Polar Ártico. Não iria deslocar pedras. Tampouco blocos de gelo. "Estou aqui para correr. Sou piloto também", afirmou rindo, com orgulho, acompanhado da simpática esposa Paula, mãe de Kimi.

E é verdade. Masa sempre quis competir, mas antes de pensar em si, a prioridade foi o filho. Por isso investiu nele o que ganhava. "Ele trabalhou em três locais distintos a fim de conseguir dinheiro para o Kimi continuar no kart", lembra Paula. "Eu mexia com os tratores, possuía um táxi e à noite fui recepcionista de restaurante", conta Masa, sem esconder a origem. "Todo inverno era a mesma coisa: tínhamos de conseguir o dinheiro que Kimi necessitava quando começassem as corridas. Ficamos em dúvida várias vezes se seria possível", explica a mãe. Kimi correu de kart dos 7 aos 18 anos.

Agora Kimi financia o hobbie do pai. São pequenos protótipos equipados com motor de motocicleta de 110 cavalos. "Comecei ano passado", diz Masa. Terminou o campeonato que teve entre 40 e 45 pilotos na 13ª colocação. A mãe lembra que em 2007 "quase fica louca".

Rami, irmão dois anos mais velho que Kimi, também gosta de velocidade e disputou o Campeonato Finlandês de Fórmula 3. Na primeira temporada terminou em terceiro. "Teve domingo de os três competirem. Que desgaste!", lembra Paula.

A mãe garante que em casa Kimi está longe de ser o ?Iceman? - homem de gelo que nunca manifesta emoções. "Não, não, não. Ele acabou de me ligar. Queria saber do cachorro, o Axu." Um pastor alemão de belo porte. "O Kimi é sempre carinhoso conosco, gentil."

Mas a fama do filho não é renegada pelo pai. Ao ser questionado sobre sua frieza ao volante, Masa dispara: "Claro, eu sou o pai do Iceman." Na pista, o pai de Kimi demonstrou nos treinos livres de sexta-feira ser impetuoso, seu carro vem de lado nas curvas. Não ouviu o repórter comentar com um amigo finlandês: "Aqui não tem essa de filho para pai. O filho domina mais a técnica da pilotagem".

Tal destreza levou Kimi à conquista de seu grande sonho ano passado: ser campeão do mundo. "Mudou, sim, nossa vida. Vejo, agora, como isso tinha importância para o Kimi", comenta sua mãe. "Ele é um homem feliz. Ama a Ferrari. Diz que a equipe é como uma família, há coração no que fazem", explica o pai. "Na McLaren meu filho vivia triste. O carro quebrava toda hora", emenda a mãe.

A postura impassível de Masa diante dos desafios faz com que ele e Paula não assistam às corridas de Kimi juntos. "Não dá. Ela fica nervosa." Paula concorda: "Se um está na sala o outro tem de ir para o quarto."

Domingo o casal vai ver o filho ao vivo nas ruas de Mônaco. Kimi alugou um iate - com vários banheiros - e ficarão hospedados lá. Irão acompanhar a corrida do deck superior da embarcação. Kimi não vai dormir no iate. Em 2004, ficou enjoado e bateu nos treinos livres de sexta-feira e sábado. A McLaren o levou para um hotel na marra.

Masa, Paula e Rami garantem não sentir medo de que Kimi sofra algum acidente. "Fico nervosa, mas aprendi a conviver com isso desde o kart." Rami é um fã do irmão. E Kimi dele. Repassou a Rami a tarefa de tomar conta de sua frota de veículos, todos muito especiais. "Kimi construiu este imenso galpão, aqui ao lado de onde crescemos, para colocar o que tem na Finlândia", conta Rami. "Quando éramos pequenos brigávamos toda hora, agora não mais." O Iceman tem supermotos de Marcus Walz, motos modelo cross - das menores às mais sofisticadas -, motos de neve, karts, o utilitário Hummer, preto, um Audi 4.2 TDI branco, além de uma McLaren (Fórmula 1) que ganhou de Ron Dennis.

HERANÇA

O avô já começou o processo de ?catequese? dos netos. "Tenho dois filhos, Justus, de 3 anos, e Tiitus, 2. Quando o primeiro nasceu, meu pai apareceu no quarto do hospital com um kart de verdade", lembra Rami. "O Tiitus ganhou o seu no aniversário de um ano. Hoje os dois meninos, de 3 e 2 anos, já estão andando com karts especiais", falou Rami, impressionado com Masa. "Ele organiza tudo do Kimi - troféus, macacões, capacetes - não temos mais onde colocar as coisas." A casinha de madeira, onde tudo começou, agora é uma espécie de almoxarifado das coisas do piloto da Ferrari.

A Finlândia é local de férias de Kimi. "Há seis anos moro na Suíça", falou durante o GP da Turquia. "O que ele gosta de fazer aqui é viver como uma pessoa comum, longe de tudo, sem ajuda até da tecnologia. Quando conquistamos o título finlandês de kart, em 1998, e agora, ano passado, no seu mundial de Fórmula 1, fomos para a Lapônia", conta seu amigo e mecânico da época do kart, Kalle Jokinen. "Tenho uma casinha lá. O Kimi foi dirigindo os 800 quilômetros e ao chegar lá tivemos de cortar lenha, sob temperatura de 28 graus abaixo de zero, e esperar umas duras horas até a casa esquentar."

Desligar da Fórmula 1 parece ser uma necessidade para Kimi. "Nunca falamos disso quando estamos juntos", conta outro amigo, empresário em Helsinque. "Nos reunimos, cinco, seis amigos, às vezes saio com minha namorada e Kimi com Jenni (sua mulher), não comentamos nada de corridas." Pede anonimato porque a imprensa finlandesa é, segundo disse, sensacionalista com Kimi.

O piloto já foi capa de várias publicações, sugerindo estar bêbado. "É normal na Finlândia as pessoas beberem de sexta-feira e sábado. O Kimi não faz nada diferente do que outros da sua idade fazem, diria até menos, mas gostam de explorar isso. Se tivesse problema com bebida, como dizem, não teria sido campeão do mundo de Fórmula 1." A mãe apóia o amigo do filho: "Fazem de uma coisa pequena um drama, mas não nos atingem e nem a ele".

Jokinen relaciona-se com Kimi atualmente como fazia nos tempos difíceis do início de carreira. "É a mesma pessoa. Esse é o seu ponto forte. Consegue fazer seu talento trabalhar isolado, sem as pressões todas que cercam um piloto."

MEMÓRIAS

E pensar que a trajetória de Kimi na F-1 começou porque seu empresário, David Robertson, foi cobrar a Renault: "Kimi foi campeão britânico de Fórmula Renault em 2000. Os franceses davam como prêmio um teste com seu carro de Fórmula 1. ", explica Jokinen. "Robertson cobrou a empresa e eles pediram que providenciasse uma equipe. Não seria na Renault.??

Robertson convenceu Peter Sauber. O treino serviria apenas para Kimi saber o que era a Fórmula 1. Aquilo era um prêmio, não um teste. "Mas Kimi mostrou-se de cara muito, muito rápido", conta seu ex-mecânico e amigo, sempre presente.

Peter Sauber passou a vê-lo de outra forma, não como um piloto, como tantos. "No fim do dia disse que gostaria de vê-lo em outro teste. Kimi foi e, de novo, impressionou pela velocidade e constância. Não errava." Também por coincidência, o suíço não estava contente com seus pilotos, Pedro Paulo Diniz e Mika Salo. Havia, portanto, vagas em aberto na equipe. Nick Heidfeld, alemão, ficou com uma delas. A outra seria uma aposta de risco. "De alto risco", como o próprio Sauber afirmou tempos depois.

"Outro problema complexo que precisou ser contornado foi que Kimi havia disputado, até então, apenas uma temporada e meia com carros da Fórmula Renault, essa era toda sua experiência", relembra Jokinen. "Não queriam dar a superlicença para ele, achavam que ele colocaria em risco os demais pilotos. Keke Rosberg (finlandês também, campeão do mundo de 1982) foi um dos que trabalharam contra Kimi correr de Fórmula 1." A licença foi dada em razão da credibilidade de Sauber. "Tudo podia ter acabado ali e a Fórmula 1 deixado de conhecer um grande talento. Mas felizmente as coisas aconteceram", emociona-se, Jokinen.

Em Istambul, há pouco mais de uma semana, o consagrado Kimi surpreendeu: "Meu contrato com a Ferrari termina no fim de 2009. Não sei o que irá se passar, mas se tiver gostando ainda de correr, como agora, renovo, senão vou ver o que fazer da vida". O piloto diz estar fora de cogitação, pelo menos por enquanto, aprender italiano. "No, I don?t like to study. I see you later, bye (Não, não gosto de estudar. Eu o vejo mais tarde, tchau)."


Admin · 7 vistos · 0 comentários
27 Ago 2011 

Data de Nascimento: 17/10/1979
Apelidos: Iceman, Kimppa e Kimster
Pais: Paula e Matti Raikkonen
Irmão: Rami
Esposa: Jenni Dahlman
Hobbies: Hóquei de gelo, snowboarding, golfe...
Primeira vitória: Malásia 2003
Última vitória: Spa 2009
Cachorro: Ajax (Pastor alemão)
Músicas: Música finlandesa, Guns N' Roses, U2, Eminem
Que personagem de filme o Kimi gostaria de ser? Jack Sparrow (Piratas do Caribe)
Comida: Macarrão, frango, batata...
Poles: 16
Vitórias: 18
Pódios: 62
GPS: 157 (155 largadas)


Admin · 14 vistos · 0 comentários
27 Ago 2011 

Red Bull

Você sabe que Kimi Raikkonen foi campeão da Fórmula 1 com a Ferrari em 2007. E provavelmente sabe que atualmente ele disputa o Mundial de Rali. E também deve saber que não há nada que impeça o “Homem de Gelo” de alcançar o sucesso e que ele não é de falar muito. Tudo isso é bem conhecido. Mas veja aqui cinco curiosidades sobre Kimi que podem ser uma surpresa para você...

1-Ele dirige devagar na estrada
Quanto está em casa, dirigindo seu AMG Mercedes, Audi Q7 ou Cadillac Escalade (apenas três de sua variada frota), Kimi gosta de ir com calma. Isso se deve principalmente ao fato de ele ter casa tanto na Finlândia quanto na Suíça – dois dos países mais severos quando se trata de multa por velocidade, e onde o valor da multa está ligado à renda da pessoa. “Simplesmente não vale a pena”, conclui Kimi. “Normalmente você vai me ver obedecendo ao limite de velocidade”.

2-Ele possui um Chevrolet Corvette Stingray que já pertenceu a Sharon Stone
Ele comprou o carro em um leilão de caridade em prol das pesquisas sobre a Aids por 200 mil euros. Ele praticamente nunca o usou, mas foi por uma boa causa. Na garagem de Raikkonen também há um antigo Mini e um Fiat 500, além de duas motos customizadas com a palavra “Iceman” (homem de gelo) escrita no tanque de combustível.

3-Ele tentou uma vez roubar o carro de rali de seu irmão
O irmão mais velho de Kimi, Rami, também é piloto de rali. Quando Rami conseguiu seu primeiro carro de rali, um Opel, o irmão mais novo ficava pedindo permissão para pilotá-lo. Rami não achava que seria uma boa idéia, então Kimi decidiu que seria mais rápido e mais fácil simplesmente pegar o carro e sair andando.

4-O primeiro carro de Kimi foi um Lada
Kimi admitiu recentemente que seu primeiro carro foi um russo Lada, e afirma até mesmo que era um “bom carro” e que o vendeu para “um amigo”. Resta saber se essa pessoa continua sendo um amigo.

5-A carreira de Kimi no automobilismo deve-se a um banheiro
O pai de Kimi, Matti, enfrentou um dilema quando seus filhos eram pequenos: comprar um kart para eles ou trocar o antigo banheiro do lado de fora da casa por um dentro? Para a sorte de fãs em todo o mundo, Matti decidiu que sair de casa no frio para usar o banheiro era um preço pequeno a pagar pela felicidade de seus filhos...
Admin · 16 vistos · 0 comentários
13 Set 2008 

A estréia de Kimi Raikkonen na Fórmula 1 causou polêmica em 2001. O suíço Peter Sauber decidiu contratar o jovem piloto que havia realizado apenas algumas corridas pela Fórmula Renault, mas a aposta deu certo.


Com apenas 22 anos, Raikkonen despertou o interesse de Ron Dennis e foi contratado pela McLaren. Na nova equipe, o finlandês conquistou vitórias, mas não chegou ao sonhado título, somando dois vice-campeonatos em 2003 e 2005.


Nesta temporada, o piloto decidiu trocar a McLaren pela Ferrari com a difícil missão de assumir o cockpit do alemão Michael Schumacher, pentacampeão pela escuderia italiana de 2000 a 2004.



Admin · 226 vistos · 3 comentários
13 Set 2008 

Kimi Raikkonen é o responsável por uma das maiores viradas da história da Fórmula 1. Após sofrer críticas pela irregularidade no início da temporada, o piloto finlandês reagiu na metade final da temporada para conquistar o título histórico.


O piloto da Ferrari iniciou a temporada com uma vitória, na Austrália, mas teve de esperar até a oitava etapa para voltar a subir ao ponto mais alto do pódio. Antes da penúltima corrida do ano, o finlandês estava a 17 pontos do então líder Lewis Hamilton.


Raikkonen também se beneficiou pela confusão interna da McLaren entre Hamilton e o espanhol Fernando Alonso para reagir e conseguir o título mundial.


Com o resultado, o finlandês recoloca na próxima temporada o nº 1 no carro da Ferrari. O último título havia sido conquistado pelo alemão Michael Schumacher, o sétimo da sua vitoriosa carreira, em 2004.



Admin · 704 vistos · 5 comentários